04/04/2011

O que resta.

O virar as costas é a homérica punhalada que recebo, é um resgate do que nunca tive. Agora dói e fica latejando, interminavelmente, só pra me fazer lembrar do ato. Me comprimo, fico nano, mesmo sem ser ou ter grandezas, a única que posso ter de gigantismo é essa angústia. Dói ver tudo, não por nada, mas por ver os olhos, me perco sem chances de achar um destino. Os neurônios capricham nessas horas, pago por tudo, até pelo que não fiz, até por essa dor. A dor me leva para outros caminhos, minha doce ilusão. Estou crente na minha descrença, logo, resta um pouco, que sei, será muito. Muito que emprego, muito que quero, muito que espero, muito que deixaria, muito que acompanharia, muito que posso fazer. Hoje quero só seguir e continuar. O travesseiro me assombra, sinto falta, por instantes que nunca foram assim. O amanhecer é distinto, fica brincando, estou me perturbando. Não resta.

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