28/04/2011

São seus.

Queria descrever essas linhas, que traços são esses? Contornos simples, com consanguinidade, idênticos, com a diferença do oposto, um deste lado e o outro deste outro lado. Uma mescla de adoração, com umas pitadas de afirmação e, às vezes, negação, mais o complemento satisfação. Quem não conhece o silêncio não sabe o que está perdendo, de cinco sentidos um expressa além do que devia, fascina. Por ele (o par) transpassa mais do que um brilho, parece revelar o interior, fica sendo o espelho da alma, um desalmado se encanta fácil por isso. Um extravagante discreto, com um toque do mais puro topázio, numa hora bruto, noutra lapidado, circundado com filetes perfeitos de tons diferentes, um sim, um não, uma leve discórdia, a mais bonita que já vi. Em repouso, mesmo escondido, existe a situação de se juntar a outros elementos o que deixa tudo ainda mais bestificador. Nesse instante vou atrás disto, sei que é apenas uma imagem, isso já basta para deixar todo o dia com sentido. Tento me concentrar e imaginar, nunca será a mesma coisa. Que tenha isso eternamente. Qualquer coisa descrita é pequena diante.

26/04/2011

Justo comigo.

Sonhos me perturbam, não tenho culpa de não conviver rotineiramente com essa utopia. Eu temo o que é integralmente revelado. Sonho pra mim tem outro significado, ele compete com o que eu não quero, que é a antecipação do que estou vendo, ouvindo, sentindo. Não existe explicação, existe a sensação, estranha, que adentra a mente no momento em que menos preciso disto. Sofrer por antecipação já é algo que faço integralmente em são estado despertado, o momento de sonolência devia ser o do descanso. Temo o que eu tenho. Temo os sentidos que não sentia antes. Temo o rápido, porém intenso. O silêncio tem um vinculo que deixa tudo mais escancarado, quase um assinar de contrato. Prefiro ficar com a parte boa.

25/04/2011

O sentir.

Inspiração. O valor disto pode estar empregado no singelo. Olhos, um par, ele me danam, fazem o impressionante, me perder ainda mais. A perdição, danação, é tamanha que prefiro que continue assim, sinto um acalentado pelo simples. Faltam-me palavras, descrever quando se está perdido é complexo, exatamente como a sensação que paira ao estar perto. Diante dos meus erros a retribuição que recebo só concretiza as partes. Parar para pensar é só a forma de organizar tudo, não por ser bagunça, mas por ser tudo muito amplo, muito denso, forte mesmo. O antes e o depois, o que está no meio é o que importa, e ele que vai fazer o seguir em frente. Estou bestificado, e assim ficarei. Um mês.

20/04/2011

Musicando 2.

Queria fugir deste pensamento, me sinto traindo, só que os acordes ainda estão nítidos, seguidamente do timbre, ainda está sendo uma perturbação, só para completar a lamuria, é um timbre feminino, minha eterna perdição. Imaginei já ter ouvido antes, num momento especial do qual eu nem lembrara, o matutar é capaz de coisas inimagináveis, engano, eu sei. Mas pensando bem existe a probabilidade de que lúdico ser real, e se realmente for, a música que tanto busquei foi encontrada. A libertação foi doada. Sim, o fim foi posto no momento que dividiu ela comigo, Alguém Como Você foi o que nem imaginei, e de quebra entregou ela pra mim. Em breve a confirmação do já quase confirmado. A sincronicidade se fez presente mais uma vez? O meu presente.

19/04/2011

Musicando.

Confesso que queria a música, sei lá, seria o meu meio de estabilizar o que já sinto, apenas um dos meus clichês. Só que me deparei com a composição que não estava esperando, não mesmo, o susto é natural, ela veio numa hora que não devia, mas acabo sendo grato, já não consigo nem marejar, ao mesmo tempo em que ela fez lembrar, machucar, ela é o termino de tudo, uma espécie de enterro do que já estava sendo velado. Talvez o partir para o Rio rumo a perdição e fim de um som, não tenha sido suficiente. Não foi mesmo, porque Só Agora está tudo definitivamente apagado, prova disto é o que sinto. Só Agora já é um sinal, mas vou buscar outro timbre só para concretizar o que o presente tem sido pra mim. Um presente.

17/04/2011

Não me leve a mal.

Só estabilizando, assim vejo o quão errante sou, não por ter pessoas ao redor, somente por eu ser quem sou. Como ser capaz de magoar alguém que só retribui seus atos com bondade, com compaixão? Porque errar quando o mais fácil é acertar? O caminho decidiu mudar e, consequentemente, me mudou, mudei, não sou mais o mesmo, estou dependente e fraco, fraco pois não me reconheço mais, quem afinal sou? Eu sou o errante lembra? Lembrei. Lembrei mais já quero esquecer. As palavras escritas ferem, mas as faladas cicatrizam, elas são lúdicas, ou quase isso, pairam em outro nível, mas quero os escritos mesmo sim. O silêncio perturba tanto, o não sorriso, o não olhar, o não tocar, o não falar. A cobrança, algo que está adentrando traiçoeiramente, não confio nela, só por ela desconfiar, a cobrança podia ser mais branda, menos intensa, aqui não é bom ou ruim é apenas a condição que não condiz. Não foi fácil, pensei tanto, faria algo que não queria, eu sei o que se passou, entendi da dor, mesmo não sedo a minha doeu sim. Eu não sei escrever sobre o bonito, o podre me cerca, não seres, e sim eu sou, áurea sem sentido. O que atrai não existe palavras para descrever, só contradiz com a minha realidade. Agora eu sinto tudo, está mais forte que eu, e cada dia que passa mais aprendo. Entenda, são cuspes, apenas cuspes, nem digeri, estou degustando e assim prefiro, não quero digestão.

04/04/2011

O que resta.

O virar as costas é a homérica punhalada que recebo, é um resgate do que nunca tive. Agora dói e fica latejando, interminavelmente, só pra me fazer lembrar do ato. Me comprimo, fico nano, mesmo sem ser ou ter grandezas, a única que posso ter de gigantismo é essa angústia. Dói ver tudo, não por nada, mas por ver os olhos, me perco sem chances de achar um destino. Os neurônios capricham nessas horas, pago por tudo, até pelo que não fiz, até por essa dor. A dor me leva para outros caminhos, minha doce ilusão. Estou crente na minha descrença, logo, resta um pouco, que sei, será muito. Muito que emprego, muito que quero, muito que espero, muito que deixaria, muito que acompanharia, muito que posso fazer. Hoje quero só seguir e continuar. O travesseiro me assombra, sinto falta, por instantes que nunca foram assim. O amanhecer é distinto, fica brincando, estou me perturbando. Não resta.