20/02/2011
Minha fuga.
Há dois anos fui dominado, cada vez que os acordes soam, minha mente parte para outro plano, viajo, sem sair de onde estou. O timbre é o tiro certeiro, atinge profundamente como se só o que restasse fosse a dor que paira sempre. Foi por ela que senti algo que nunca senti, toda vez foi um pequeno inciso feito, para o próprio inciso. Ela ficou totalmente ligada a parte pulsante de mim, ficou ali para cravejar que cada vez que soasse fosse lembrado que tudo tinha um único motivo, o motivo da dor, mesmo que omissa, foi ela que marcou. Bani, tirei a única prova sonora de que poderia realmente me lembrar, mas ela sempre rondou em meus ouvidos e com a certeza de que sempre cairia a simples, mais densa, água salgada. Minha libertação só poderia ser a lamentação, mas não como uma qualquer, como as muitas que tive, a despedida, a forma pura de tirar tudo que me atordoou, sim o dia chegou me libertei. Tirei um peso dos ombro, uma prece para o ainda acreditei, que firmou com os mesmos acordes que me sacanearam um dia, deixo uma parte de tudo para trás, não reviver algo que não passou de um mero pensamento. Sinto-me leve. Posso caminhar com os meus passos.
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